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sexta-feira, 9 de março de 2012

I’m from Amapá



Há mais de dois meses no Canadá e eu ainda não conheço nem 50 canadenses. Toronto poderia ser considerada uma cidade do mundo e não do Canadá, afinal, todo o mundo se concentra por aqui para as mais diversas finalidades.

Com uma mistura tão grande e nada homogênea, diariamente faço as mesmas perguntas para pessoas diferentes. Perguntas básicas, daquelas que a gente aprende na aula de inglês da 2ª série na escola pública, tipo: What is your name? Em seguida: Where are you from? E as vezes: How old are you? E as respostas que ouço sempre são acompanhadas de um: And you?

Sempre respondo as mesmas coisas, e vez ou outra, quando o gringo é metido a espertinho, pergunta: But do you live in Rio de Janeiro or São Paulo? E lá vai eu explicar que o Brasil tem mais 24 estados e eu moro no extremo norte do país. Mas legal mesmo é quando eu conheço um brasileiro, e ele pergunta: Mas você é de onde? E eu, com meu instinto ‘QUERO CAUSAR’, falo cheio de orgulho: Sou do Amapá!

Ok, eu sei que sou cearense, e sim, eu amo meu estado, minha cidade. Mas é tão legal esfregar na cara do resto do mundo que o Amapá existe sim, e que nós também saímos do país para estudar outros idiomas além do Tupi-Guarani e Nhengatú. Mais legal ainda é quando você tem que dar uma aula de geografia, e explicar que o nordeste não é a Bahia, e que o norte não é a Amazônia, e comentar sobre o fato de Macapá ser a única capital do Brasil banhada pelo maior reservatório de água doce do planeta, Rio Amazonas, e é cortada pela Linha imaginária do Equador.

Para mim isso não faz a menor diferença, mas se é para causar, falar de exclusividades e recordes sempre impressiona. E eu não ligo se moro no único estado do país que não tem banda larga, se as ruas são esburacadas ou se o fato trágico de ser localizado na Linha do Equador o torna a antessala do inferno, afinal, tenho minha família e os melhores amigos do mundo para compartilhar essas frustrações comigo. E eu não admito que neguinho nenhum se meta a besta para falar da cidade que tomei para mim, afinal, nós que moramos lá, já somos muitos e fazemos isso sempre!