Uma das desvantagens de uma
viagem longa são os relacionamentos que enfraquecem. Não por falta de amor ou
nada do gênero, mas é que e difícil manter o contato quando se tem um
continente inteiro separando os corpos. Normalmente é mais difícil para quem
sai da zona de conforto, pois este, no caso eu, cria nova rotina e novos laços,
e acaba ficando sem tempo para manter os antigos, o que é uma grande falha,
confesso. Mas hoje o texto é dedicado a minha linda Ana B., que foi, de longe,
quem mais conseguiu sugar de mim tempo e dedicação. Como? Simples, me dando
tempo e dedicação. Ela foi a única que insistiu, mesmo quando eu não tinha
tempo. Que deixou recados. Que cobrou. Que gritou. Que me aconselhou. Que se fez presente. E que
estava lá, online, na hora que eu precisava. Ela, que segundo nossos planos,
era para estar aqui, sabe de tudo o que se passa, com cada vírgula, com cada
detalhe. E eu, que não estou lá, sei de cada passo que minha ‘Estagiária da
tarde’ dá. Também grito, tanto para brigar quanto para comemorar. E desde que
vim, houve muitos motivos para comemorar. Nessas horas a gente percebe que as
palavras bonitas são interessantes, mas que as ações, as demonstrações, as
provas, são essenciais. E se havia alguma dúvida do nosso amor, essa foi sanada
da forma mais simples possível. A minha Ana B. não é a única pessoa que me faz
falta aqui no Canadá, mas sem dúvida, ela é uma das poucas que merecem saber
disso.
