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sábado, 25 de fevereiro de 2012

O trio de três


A festa seria na sexta-feira à noite, e o trio de três babacas idiotas resolveu que iria a tal festa. Até aí, tudo bem, afinal, o que mais se vê em festas são trios de três babacas idiotas.  O diferencial desse trio de três, era que cada um falava um idioma diferente, uma verdadeira torre de babel. O mais bonito falava português, o outro, que era bonito também, mas não tão quão o primeiro, falava coreano e a garota falava espanhol. A única coisa que eles tinham em comum era o péssimo inglês.

Começaram a combinar hora e local para o encontro ainda pela manhã, na sala de aula. Continuaram pela tarde, na internet. Já estava tudo certo, 9h30 p.m. na Osgoode Station. O mais bonito achou que fosse chegar atrasado e resolveu avisar antes. Os outros dois confirmaram a hora, e ficou combinado esperar até as 9h45 p.m. Às 9h42 p.m. o mais bonito chega e encontra o menos bonito, e usando só e somente o simple present, descobrem que a garota estava atrasada, e que provavelmente chegaria depois das 11 p.m.

Os dois garotos resolveram ir sozinhos a festa, mas se perderam no caminho. Era uma noite fria, e o menos bonito, recém-chegado na cidade, e que estava trajando somente uma t-shirt e um moleton, logo começou a congelar. Era engraçado ver aquele garoto se tremendo todo. “Que idiota! O que ele tem na cabeça de sair de casa praticamente nu?”, pensou o mais bonito.

Um tempo depois, depois de usar mimicas e apontar pra direções pedindo informação, eles conseguiram chegar à festa. Mas como tudo o que está ruim, pode piorar, havia uma fila imensa na porta, e eles tiveram que esperar sua vez na calçada. O frio continuava frio, e o menos bonito continuava congelando, enquanto o mais bonito não parava de rir.

Já no nightclub, depois que a garota havia chegado, eles resolvem tomar uns ‘bons drink’. A pedida foi vodka with strawberries. Bebidinha doce, gostosa, acabou em dois tempos. Eles queriam ficar loucos, e resolveram apelar, “Tequila shot, please!”. A cara do coreano menos bonito foi algo impagável. Os outros dois se olharam, e sem precisar dizer uma palavra, chegaram à conclusão “É a primeira vez dele!”.

Não chegaram a ficar loucos, mas os sul-americanos ficaram bem animadinhos, enquanto o asiático entregou os pontos, e ficou sentado boa parte da festa, vendo todo aquele povo estranho e sem saber onde tinha se metido.

A noite acabou sem grandes emoções, na estação de metrô, todos se despedindo e marcando algo para o dia seguinte.