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quarta-feira, 25 de abril de 2012

Quem fala e faz



Uma das desvantagens de uma viagem longa são os relacionamentos que enfraquecem. Não por falta de amor ou nada do gênero, mas é que e difícil manter o contato quando se tem um continente inteiro separando os corpos. Normalmente é mais difícil para quem sai da zona de conforto, pois este, no caso eu, cria nova rotina e novos laços, e acaba ficando sem tempo para manter os antigos, o que é uma grande falha, confesso. Mas hoje o texto é dedicado a minha linda Ana B., que foi, de longe, quem mais conseguiu sugar de mim tempo e dedicação. Como? Simples, me dando tempo e dedicação. Ela foi a única que insistiu, mesmo quando eu não tinha tempo. Que deixou recados. Que cobrou. Que gritou. Que me aconselhou. Que se fez presente. E que estava lá, online, na hora que eu precisava. Ela, que segundo nossos planos, era para estar aqui, sabe de tudo o que se passa, com cada vírgula, com cada detalhe. E eu, que não estou lá, sei de cada passo que minha ‘Estagiária da tarde’ dá. Também grito, tanto para brigar quanto para comemorar. E desde que vim, houve muitos motivos para comemorar. Nessas horas a gente percebe que as palavras bonitas são interessantes, mas que as ações, as demonstrações, as provas, são essenciais. E se havia alguma dúvida do nosso amor, essa foi sanada da forma mais simples possível. A minha Ana B. não é a única pessoa que me faz falta aqui no Canadá, mas sem dúvida, ela é uma das poucas que merecem saber disso.



terça-feira, 6 de março de 2012

Sobre saudade

Minha Ló


Minha vida tem se resumido a saudade. Saudade da minha cama, saudade da minha casa, saudade da minha família, dos meus amigos, saudade das pessoas maravilhosas que conheci no Canadá e já voltaram para o Brasil e, principalmente, saudade da minha boneca, da minha linda, adorável e louca irmã caçula.

Aquele ser que consegue ter o bem e o mal dentro de si, e que não sabe dosar nenhuma das partes. Que consegue ser irritantemente doce como histericamente grossa, que nunca está satisfeita com os carinhos e que não passa um dia sequer sem chorar.

Que saudade de controla-la, de dizer que ela está gorda, de manda-la calar a boca, de convencer a minha mãe a proibi-la de sair de casa, de manda-la fazer regime, de dizer que ela está horrorosa com a roupa B e que ela precisa usar a roupa A.

Mas principalmente, de ver o sorriso dela, de ouvir sua voz grave, de receber os carinhos com aquelas mãos sempre de unhas impecavelmente e diariamente feitas, de brincar com sua franja enquanto sua cabeça está em meu colo e ficar penteando sua sobrancelha, de ter meu cartão de crédito, para enchê-la de presentes parcelados de 3x sem juros e principalmente de tê-la ao meu lado para nada, somente porque ao meu lado é o seu lugar.



P.S.: Texto redigido ao som de soluços e com gosto de lágrimas.