Às vezes a comodidade nos deixa com venda nos olhos e acaba atrapalhando nossa vida, nos forçando a fazer coisas estúpidas. Mas se você passar a fazer as viagens de ônibus com os olhos abertos prestando atenção no mundo que está girando a sua volta e perceber que cada segundo que você perde não volta, um novo mundo se abre, um mundo mais prático, mais eficiente e mais divertido.
Eu não sei bem de onde eu estava voltando, mas lembro de que já passava da meia noite. Nesses casos, normalmente meu senso de responsabilidade e o medo de passar do meu ponto de ônibus me tiram o sono e me fazem sempre olhar pela janela, só para ter a certeza de que estou indo pelo caminho certo.
Foi em uma dessas olhadas pela janela que eu vi, em uma placa gigantesca, que há um Walmart, o supermercado da minha vida, a menos de 3 minutos de ônibus, e mais de 15 a pé, da minha casa. Fiquei em êxtase com a novidade e logo em seguida me odiei por descobrir isso só três meses depois de ter chegado aqui.
Sempre fui a favor do “todo castigo é pouco para gente burra”, e me odeio quando percebo que fui burro. Três meses pegando um ônibus que demora aproximadamente 25 minutos para chegar à estação de metrô, mais 8 minutos no metrô, caminhar duas quadras e fazer o mesmo percurso para voltar, tudo isso só para comprar alguns poucos pacotes de chips e cookies, quando poderia apenas pegar um único ônibus, esperar cinco minutinhos, se o semáforo estiver vermelho, e fazer tudo igual e com o mesmo preço mínimo.
